O Leapmotor B10 foi lançado oficialmente no Brasil em 7 de abril de 2026 por R$ 182.990, com condição promocional de R$ 175.990 para quem entrega um usado na troca. O SUV elétrico médio chega em versão única 100% elétrica, com 218 cv, tração traseira, recarga rápida em 16 minutos e autonomia de 288 km pelo ciclo Inmetro. O mais importante, a Stellantis confirmou que o B10 será fabricado em Goiana (PE) a partir de 2027, com versão híbrida flex inédita no mundo.

Preço e condições de compra
Não é todo dia que um SUV elétrico médio chega com tabela segmentada assim. Os valores do Leapmotor B10 são:
- Preço público: R$ 182.990
- Com usado na troca: R$ 175.990 + taxa zero + wallbox grátis
- PCD: R$ 161.390
- CNPJ (pessoa jurídica): R$ 168.290
- Taxista: R$ 141.190
Para quem está comprando no preço cheio, a diferença de R$ 7 mil em relação ao Geely EX5 (R$ 205.800 na versão de entrada) ou ao Omoda E5 (R$ 209.990) é considerável. O B10 chega bem mais em conta que os rivais diretos e ainda oferece o wallbox de brinde.
Mas tem um porém, a autonomia de 288 km no padrão Inmetro pesa na comparação. No ciclo WLTP, o número sobe para 361 km, mais próximo do que esses rivais declaram. Decide você qual referência faz mais sentido para o seu uso.

Design e dimensões
Exterior limpo, sem grandes ousadias. Visualmente, o B10 segue a mesma linha do irmão maior C10: dianteira praticamente fechada (típico de elétrico), faróis full LED afilados com assinatura chamada Wing Star e para-choque com acabamento preto. A barra acrílica que interliga os faróis não é iluminada, o que dá um visual mais sóbrio que alguns rivais chineses.
Na lateral, rodas diamantadas de 18 polegadas e maçanetas embutidas. O teto solar panorâmico Sky View de 1,83 m² vem de série, ponto. Traseira com lanternas em LED conectadas e spoiler discreto fecham o conjunto.
Porta-malas e espaço interno
O B10 mede 4,51 m de comprimento com 2,73 m de entre-eixos. O espaço traseiro é generoso para a categoria. O porta-malas leva 365 litros e ainda tem um frunk de 21,5 litros sob o capô, útil para guardar o cabo de recarga sem bagunçar o bagageiro principal. Com os bancos rebatidos, chega a 1.411 litros.
O assoalho plano facilita transportar três passageiros atrás sem desconforto. A reclamação válida, o assento traseiro é um pouco baixo, o que pode cansar em viagens longas.

Motor, bateria e autonomia
O conjunto elétrico do B10 entrega 218 cv (160 kW) e 24,5 kgfm de torque. Tração traseira, 0 a 100 km/h em 8 segundos e velocidade máxima de 170 km/h. A bateria é de 56,2 kWh com tecnologia Cell-to-Chassis (CTC), onde as células são integradas diretamente à estrutura, mais rigidez, menos peso.
Na recarga em corrente alternada (AC), o B10 suporta até 11 kW e leva 6 horas e 48 minutos de 5% a 100% num wallbox doméstico. Já nos carregadores rápidos DC de 140 kW, vai de 30% a 80% em apenas 16 minutos. Isso é competitivo. Até rivais mais caros não chegam nesse nível de velocidade de recarga no segmento.
Interior e tecnologia
Multimídia e conectividade. Por dentro, o B10 aposta no minimalismo que os chineses adoram. A central multimídia tem 14,6 polegadas – sim, 14,6, não 14,4 como especulado antes do lançamento e já sai de fábrica com Android Auto e Apple CarPlay sem fio. Esse era o principal xingamento do C10 no lançamento e a Leapmotor acertou o ponto.
O quadro digital de 8,8 polegadas acompanha o ajuste da coluna de direção, solução inteligente. Tem carregador por indução, ar-condicionado digital de duas zonas e bancos com revestimento em couro sintético.
Só que a ausência de botões físicos incomoda na prática. Ajustar o retrovisor pelo menu da tela enquanto faz manobra não é lá a coisa mais prática do mundo. E o posicionamento da tela, parcialmente encoberta pelo volante em alguns ajustes de coluna, é um ponto a melhorar.

Segurança
O pacote de segurança é robusto. São 7 airbags (incluindo o central), freios a disco nas quatro rodas e ADAS nível 2 com piloto automático adaptativo, centralizador de faixa, frenagem autônoma de emergência, alerta de ponto cego, alerta de tráfego cruzado com frenagem e detecção de fadiga.
Mas o assistente de permanência em faixa tem calibração intrusiva. Corrige antes da hora e pode irritar em algumas rodovias com demarcação irregular. Problema bastante comum em elétricos chineses de primeira geração no Brasil.
Produção nacional e versão híbrida flex
Esse é o trunfo de longo prazo do B10. O CEO global da Stellantis, Antonio Filosa, confirmou no dia 7 de abril que o B10 será produzido no polo automotivo de Goiana (PE) a partir do primeiro trimestre de 2027. A produção começa no modelo SKD (montagem a partir de kits importados) e evolui para CKD com maior grau de nacionalização.
O mais impressionante é a tecnologia REEV Flex, a primeira do mundo a combinar o sistema de autonomia estendida com motor bicombustível (etanol e gasolina). No REEV, o motor a combustão não toca as rodas: funciona apenas como gerador de energia para a bateria elétrica. Com etanol, a projeção é de autonomia total próxima a 1.000 km por tanque. A engenharia é da própria Stellantis no Brasil, usando motores de origem Fiat.
O C10 REEV nacional deve chegar ainda no último trimestre de 2026. O B10 REEV flex fica para o primeiro semestre de 2027.










