Visual renovado, mecânica inalterada: a bigtrail japonesa aposta em novas paletas para seguir competitiva no segmento premium
A Suzuki colocou à venda no Brasil a linha 2026/2027 da V-Strom 1050XT. O preço sugerido é R$ 86.950, sem frete. A atualização é pontual, sem nenhuma mudança mecânica: o que muda mesmo está na pintura. Três novas combinações de cores chegam para renovar o visual da bigtrail que, há anos, é referência no segmento de motos para viagem no país.

Visual renovado
Entram no line-up as cores amarelo com rodas azuis (Champion Yellow nº 2/Glass Sparkle Black), branco com rodas azuis (Pearl Tech White/Glass Sparkle Black) e preto com detalhes em cinza e vermelho (Glass Sparkle Black/Metallic Mat Black nº 2). Quem prefere chamar atenção na estrada vai com o amarelo. Quem quer algo mais discreto, fica com o preto.
No geral, as combinações ficaram bem. A referência às motos de rali da marca é clara, especialmente no amarelo com as rodas azuis, visual que lembra bastante as cores usadas pela Suzuki no Dakar. Uma pena que a marca não tenha ido além e aproveitado a oportunidade para mexer também no painel ou nos detalhes da carenagem.
Motor e conjunto mecânico
Debaixo da carenagem, tudo igual. A V-Strom 1050XT 2027 continua com o motor bicilíndrico em V a 90 graus, DOHC, de 1.037 cm³, com 107 cv a 8.500 rpm e torque de 10,5 kgf.m, transmitidos por câmbio de seis marchas.
Na prática, é um motor generoso em baixa e média rotação, exatamente o que quem faz viagens longas precisa. Não é um motor esportivo, mas entrega força onde importa: na ultrapassagem em rodovia, carregado com baú e garupa. O tanque de 20 litros garante autonomia de sobra entre os abastecimentos.

Com a concorrência aquecida e modelos como a BMW F 900 GS e a Honda Africa Twin refinando cada vez mais a mecânica, o preço em torno de R$ 86.950 a coloca no segmento premium, exigindo avaliação cuidadosa de rede de concessionárias e custos de peças. Pagar quase R$ 87 mil e não levar ao menos uma atualização no motor ou no painel é uma escolha que a Suzuki vai ter que defender bem.
Eletrônica e ciclística
O destaque segue sendo o Sistema Suzuki Intelligent Ride (S.I.R.S.), que reúne quickshifter bidirecional, acelerador eletrônico ride-by-wire, controle de tração, Seletor de Modo de Pilotagem Suzuki (SDMS) e Sistema de Partida Fácil.
Na parte do chassi, as rodas seguem no padrão bigtrail: aro 21 na dianteira e 17 na traseira, com pneus mistos. A suspensão dianteira é invertida, e a traseira usa monoamortecedor com ajuste. Freios duplos de 310 mm na dianteira com pinças de quatro pistões e ABS. É um conjunto sólido, sem discussão.
A V-Strom 1050XT pesa cerca de 250 kg com fluidos. Não é leve. Para quem vem de motos menores, vale uma boa dose de respeito nos primeiros quilômetros.

Suzuki cresceu, mas a concorrência também
A Suzuki cresceu 47% em 2025 no Brasil, emplacando 3.384 unidades, com a V-Strom 800DE como líder de vendas entre bigtrails. A 1050XT vive à sombra da irmã menor em volume, mas segue sendo o topo de linha da família, o cartão de visitas da marca para quem quer a versão mais equipada e potente.
Quase R$ 87 mil por uma bigtrail sem atualização técnica em 2026 é uma aposta ousada da Suzuki. O argumento da marca é que o conjunto já está maduro e confiável e não é errado. Mas, com a Honda Africa Twin custando valores próximos e entregando motor bicilíndrico de 1.084 cm³ com câmbio DCT, a V-Strom 1050XT precisa convencer o comprador no test ride e na rede de assistência, não só no nome.










