Geely EX2 nacionalizado vai entregar porta-malas de SUV para peitar o BYD Dolphin

Henrique Alves
Publicado em: 19 de fevereiro de 2026
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Renault e Geely vão fabricar o elétrico EX2 no Paraná com 445 litros de bagagem

Produção no Paraná começa no fim de 2026 com foco em espaço interno, mas a longa espera até a montagem local joga contra o hatch elétrico

A aliança entre Renault e Geely confirmou que vai fabricar o hatch elétrico EX2 no Paraná entre o final de 2026 e o começo de 2027. O modelo já é vendido por aqui importado em duas versões e virou o carro mais emplacado da marca chinesa no Brasil. O objetivo claro é incomodar o BYD Dolphin com uma produção local. Só que segurar as mesmas especificações atuais por mais três anos pode ser um tropeço em um mercado que muda tão rápido.

Renault e Geely vão fabricar o elétrico EX2 no Paraná com 445 litros de bagagem
Geely EX2 elétrico | Foto/divulgação

Raramente se ver um conjunto tão engenhoso no aproveitamento de espaço quanto o Geely EX2. O modelo mede apenas 4,13 metros de comprimento e pesa 1.300 kg. Curiosamente, ele entrega um porta-malas de 375 litros na traseira e um compartimento adicional de 70 litros na dianteira.

São impressionantes 445 litros totais, isso supera com folga o bagageiro de muito SUV compacto vendido hoje na casa dos R$ 150 mil. O entre-eixos de 2,65 metros também garante um alívio real para as pernas de quem viaja atrás.

Desempenho e autonomia na medida

A montadora deve manter o conjunto mecânico nas futuras versões nacionais Pro e Max. O motor elétrico dianteiro rende 116 cv de potência e 15,2 kgfm de torque. O número de cavalaria não assusta no papel. Mas o EX2 acelera de 0 a 100 km/h em 10,2 segundos. Esse tempo deixa o rival BYD Dolphin GS para trás, já que o concorrente cumpre a mesma prova em 10,9 s.

Geely Ex2 Motor Eletrico 116cv
Geely EX2 elétrico | Foto/divulgação

Já a bateria de 39,4 kWh entrega uma autonomia de 289 km pelo rigoroso ciclo do Inmetro. Na vida real urbana, é mais do que suficiente para rodar a semana inteira. Na hora de plugar na tomada, uma carga rápida DC de 30% a 80% leva apenas 21 minutos. Se usar um carregador doméstico AC, o processo de 10% a 100% exige 6h30.

A suspensão tem um vão livre de 16 cm, é uma altura decente para não raspar a frente nas valetas brasileiras diárias. O motorista ainda pode escolher entre os modos de condução Eco, Padrão e Sport para poupar energia ou ganhar fôlego em ultrapassagens.

Cabine digital e pacote de equipamentos

Por dentro o acabamento foge do plástico pobre, o Geely EX2 traz bancos e volante revestidos em material premium e iluminação interna em LED. O painel de instrumentos é totalmente digital com 8,8 polegadas e faz dupla com uma enorme central multimídia FLYME de 14,6 polegadas.

Painel interno do Geely EX2 mostrando a grande tela multimídia de 14 polegadas e volante premium
Geely EX2 elétrico | Foto/divulgação

O pacote de série agrada bastante, desde a versão de entrada o hatch oferece ar-condicionado digital com saídas para o banco traseiro e direção elétrica. O freio de estacionamento eletrônico conta com a função Auto Hold, um alívio imenso no trânsito pesado; A segurança inclui câmera de ré e controle de cruzeiro.

O visual externo também não economiza, o modelo exibe faróis full LED com acendimento automático e rodas de liga leve aro 15 calçadas com pneus 205/65.

O projeto atual do Geely EX2 é extremamente sólido e competitivo para as ruas brasileiras. O espaço interno é imbatível na categoria e o desempenho convence. Mas nacionalizar um carro elétrico exige paciência industrial. Será que até o início de 2027 essa bateria de 39,4 kWh ainda vai ser atrativa ou o mercado já vai exigir muito mais pelo mesmo preço? A Renault e a Geely vão precisar de jogo de cintura para manter o hatch relevante até a primeira unidade sair da fábrica paranaense.

Henrique Alves

Henrique Alves

Henrique Alves, editor, criador de conteúdo, designer e programador, atuando com produção editorial e projetos digitais desde 2012. Já colaborou com portais como Motor News e, em 2024, fundou a RevistaCars, onde atua como publisher e editor.