Sete fabricantes chinesas responderam por 73% da capacidade de baterias instalada em carros eletrificados no mundo entre janeiro e setembro de 2026. CATL e BYD, sozinhas, alcançaram 54,3%, uma concentração que ajuda a identificar quem fornece os sistemas usados por diferentes montadoras.
O avanço chinês foi de 3,5 pontos percentuais sobre igual período de 2025. Para quem acompanha os eletrificados vendidos no Brasil, o ranking também mostra por que a marca do carro nem sempre revela a origem da bateria.
Baterias para carros eletrificados: o que o ranking mede
O levantamento da SNE Research soma a capacidade das baterias instaladas em veículos elétricos, híbridos plug-in e híbridos convencionais. Nos nove primeiros meses de 2026, o total chegou a 994,5 GWh, alta anual de 19,7%.
GWh é uma medida da energia que as baterias podem armazenar. A participação no ranking, portanto, não corresponde à fatia nas vendas de automóveis nem à capacidade de produção das fábricas.
Um carro com bateria maior acrescenta mais capacidade à conta do que um modelo com conjunto menor. Esse detalhe importa: a classificação descreve o volume instalado nos veículos registrados, não quantas unidades cada fabricante vendeu.
Ranking das dez maiores fabricantes de baterias
A CATL lidera com folga, enquanto a BYD ocupa a segunda posição. Entre as dez primeiras, sete empresas são chinesas; as demais representam Coreia do Sul e Japão.
1. CATL, China
A CATL instalou 389,2 GWh e ficou com 39,1% do total. O volume cresceu 24,9% em um ano, acima da expansão geral de 19,7%.
2. BYD, China
A BYD somou 150,9 GWh, equivalentes a 15,2%, com avanço de 7,4%. O volume aumentou, mas cresceu abaixo do mercado e sua participação recuou.
3. LG Energy Solution, Coreia do Sul
A fabricante sul-coreana registrou 81,9 GWh e manteve a terceira posição, com 8,2% da capacidade instalada.
4. Gotion, China
A Gotion alcançou 50,3 GWh e 5,1%. Ficou pouco à frente da CALB na disputa pelo quarto lugar.
5. CALB, China
A CALB registrou 50,1 GWh, ou 5% do total. A diferença para a Gotion foi de apenas 0,2 GWh.
6. EVE Energy, China
Com 36 GWh e participação de 3,6%, a EVE Energy superou a Panasonic e assumiu a sexta colocação.
7. Panasonic, Japão
A Panasonic instalou 35,6 GWh e ficou com 3,6%. Foi uma das duas empresas do top 10 cujo volume caiu no período.
8. SK On, Coreia do Sul
A SK On somou 28,3 GWh, correspondentes a 2,8%. Também registrou queda no volume instalado em relação ao ano anterior.
9. SVOLT, China
A SVOLT chegou a 25,7 GWh e 2,6% de participação. A empresa integra o grupo de sete fornecedoras chinesas entre as dez maiores.
10. REPT, China
A REPT completou a lista com 24,2 GWh e 2,4%. Sua presença fecha o grupo chinês que, somado, alcançou 73%.
O que a concentração chinesa representa para o Brasil
A posição da CATL mostra que uma fornecedora pode atender montadoras de diferentes países. A empresa informou fornecer células para a plataforma MEB da Volkswagen desde 2018 e ampliar a parceria para a célula unificada do grupo.
No mercado brasileiro, a Volkswagen Caminhões e Ônibus aponta CATL e Moura como parceiras nos sistemas de baterias do e-Delivery, dentro do e-Consórcio. A conexão já aparece, portanto, em um caminhão elétrico comercial vendido no país.
A BYD apresenta no Brasil a bateria Blade, baseada em fosfato de ferro-lítio (LFP). A tecnologia também está associada à presença local da marca, tema relacionado à discussão sobre o BYD Song Plus nacional.
Para o comprador, o ranking ajuda a entender a cadeia de fornecimento, mas não permite calcular o preço de um futuro carro ou prever qual bateria ele usará. Esses dados dependem dos contratos entre montadoras e fornecedores e das especificações de cada versão.
Como interpretar o avanço das fabricantes chinesas
O dado mais direto é a concentração: CATL e BYD respondem por mais da metade da capacidade instalada acompanhada no estudo, e sete empresas chinesas chegam a 73%.
Já o impacto no preço dos eletrificados brasileiros não pode ser deduzido apenas desse ranking. A lista mede capacidade de baterias nos veículos registrados até setembro de 2026, não custos, vendas por modelo ou condições comerciais no país.