A Chery planeja chegar a seis marcas no Brasil em 2027, com a estreia de iCaur e Lepas e novos modelos eletrificados. Para quem compra, a expansão amplia as opções, mas também torna rede de assistência, peças e identidade de cada marca pontos centrais.
O grupo já reúne CAOA Chery, Omoda, Jaecoo e Jetour no país. As operações têm estruturas comerciais distintas e não formam um único ranking de vendas.
Chery amplia presença global e aposta em produção local
A Chery informou que exportou 943,8 mil veículos no primeiro semestre de 2026, alta de 71,5% ante igual período de 2025. A empresa também declarou presença em mais de 130 países e regiões e 7,4 milhões de clientes fora da China.

Foto: Caoa Chery/Divulgação
A estratégia prevê ampliar fábricas e centros de desenvolvimento fora do país de origem. Dos 26 centros de pesquisa e desenvolvimento planejados, 16 já estariam em operação. A fabricante projeta que a produção local supere 50% das operações internacionais até o fim de 2026 e passe de 60% em 2027.
Produzir perto do consumidor pode ajudar a adaptar carros às regras e condições de cada mercado. Para o comprador brasileiro, porém, isso não garante redução de preços: custos, escala, impostos e decisões comerciais também pesam.
Seis marcas da Chery e o tamanho da operação no Brasil
CAOA Chery, Omoda Jaecoo e Jetour somaram 99.634 emplacamentos entre janeiro e setembro de 2026, conforme os números apresentados para cada operação. A soma reúne empresas com estruturas próprias e serve como medida de escala, não como resultado de uma única marca.

Foto: Caoa Chery/Divulgação
O total coloca o grupo entre os atores relevantes da expansão chinesa no país. No mesmo período, BYD registrou 169.135 unidades e GWM, 63.402. A disputa agora abrange SUVs híbridos e modelos de diferentes faixas, além dos elétricos de entrada. O avanço da BYD em outros mercados também aparece nesta análise sobre as vendas da marca no Reino Unido.
Para você, a quantidade de marcas só vira vantagem quando há concessionárias acessíveis, peças disponíveis e atendimento consistente. Marcas com origem industrial compartilhada também precisam explicar com clareza como se diferenciam e onde cada uma será atendida.
iCaur, Lepas e Omoda: lançamentos previstos para 2027
A iCaur deve estrear no primeiro semestre de 2027 com o V27. O V25 está previsto para o segundo semestre. Na configuração chinesa mais potente divulgada, esse SUV combina tração elétrica com motor a gasolina usado como gerador e pode alcançar 455 cv.

Foto: Caoa Chery/Divulgação
Esse número descreve uma versão anunciada para a China, não uma especificação confirmada para o Brasil. Potência elevada também não informa, por si só, autonomia, consumo ou custo de uso. Esses dados serão necessários para comparar o V25 com SUVs híbridos e elétricos vendidos no país.
A Lepas prepara sua chegada em 2027. O L8, apresentado com conjunto híbrido plug-in, indica uma proposta voltada a SUVs maiores. Já o Omoda 4, com cerca de 4,40 metros, é esperado no segundo semestre daquele ano, provavelmente com motorização híbrida plena.
- Chery QQ: o compacto elétrico é esperado no Brasil sob a marca Omoda, mas faltam confirmação de versão, preço e calendário.
- Jaecoo 5: anunciado para o mercado brasileiro, disputará a categoria de SUVs compactos, onde já há modelos de BYD e GWM.
- Jetour F700 e G700: a picape híbrida plug-in e o SUV 4×4 ampliam a atuação da marca em segmentos maiores e de preço mais alto.
O efeito para o comprador: rede, preço e pós-venda
O principal desafio no Brasil será transformar lançamentos em suporte duradouro. A CAOA Chery já tem base industrial no país, enquanto a operação Omoda Jaecoo avalia caminhos para produção local. Isso não significa que todas as marcas terão fábricas próprias.

Foto: Caoa Chery/Divulgação
Sem preços brasileiros confirmados para os novos modelos, ainda não cabe compará-los em custo-benefício com rivais específicos. A chegada de mais SUVs híbridos, como o BAIC X55 previsto para 2028, mostra a pressão crescente no segmento, mas cada comparação dependerá de preço, garantia e equipamentos finais.
Inteligência artificial, robotáxis e robôs humanoides fazem parte dos planos de longo prazo apresentados pela Chery. Para o motorista brasileiro, o impacto mais próximo está nos carros de 2027 e na capacidade do grupo de manter peças, assistência e revenda competitivas.