A Chery Stockman chega ao mercado para resolver a principal queixa dos picapeiros em relação aos modelos chineses, a falta do motor a diesel. A nova caminhonete eletrificada une um propulsor 2.5 biturbo a baterias traseiras, entregando absurdos 475 cv. Com previsão de estreia para 2026 na Austrália e estudos avançados para o Brasil, a fabricante aposta as fichas na tração parrudada para incomodar as líderes do mercado.

Foto: Divulgação/Chery
Arquitetura diesel e elétrica inédita
A montadora desenvolveu a caminhonete sobre a nova plataforma Kaitan Architecture. Essa base mantém o chassi de longarinas, detalhe inegociável para quem trabalha na terra pesada. Diferentemente da BYD Shark, a novidade foca no consumidor que ainda exige a robustez térmica do óleo diesel.
Na dianteira, a picape expõe uma grade larga com o nome da fabricante por extenso. Os faróis circulares em LED remetem levemente ao visual do Ford Bronco. A carroceria mede 5,45 m de comprimento, 1,92 m de largura e 1,93 m de altura. A Stockman tem porte ligeiramente superior ao da atual Toyota Hilux.
Apenas o conjunto de carga gera um ponto de atenção. As caixas de roda invadem pouco o espaço útil, mais o modelo transporta exatos 1.000 kg. É uma capacidade padrão do segmento que não supera as rivais diretas mesmo com a cavalaria elétrica extra. Em contrapartida, a capacidade de reboque alcança até 3.500 kg.

Foto: Divulgação/Chery
Motorização híbrida
Debaixo do capô, a picape usa o motor 2.5 biturbo acoplado ao eixo traseiro eletrificado. O sistema de arquitetura série-paralela despeja 475 cv de potência e 81,5 kgfm de torque máximo. A eficiência térmica atinge a marca de 47%, índice forte para blocos a combustão.
Questionada pelo mercado sobre a autonomia, a empresa declarou um alcance de 100 km no modo 100% elétrico pelo ciclo NEDC. A força isolada do propulsor térmico fica na casa dos 282 cv. Isso indica que a bateria atua como um injetor brutal de torque em retomadas e buracos, não servindo apenas para rodar em silêncio no ciclo urbano.
A transmissão gerencia o envio de força para um sistema 4×4 raiz. A caixa de transferência traz reduzida mecânica. O conjunto se apoia em 3 bloqueios de diferencial independentes, distribuídos nos eixos dianteiro, central e traseiro.
Tecnologia na cabine
Já na parte interna, a Chery Stockman reaproveita algumas soluções da Jetour, a submarca da fabricante especializada em SUVs aventureiros. O painel mostra duas grandes telas suspensas e integradas e um volante de 2 raios revestido em couro. A climatização automática possui controle manual, abrange o teto solar panorâmico e possui os bancos aquecidos disponíveis como item de série.
Outro detalhe pertinente é a manutenção de botões físicos na parte inferior do console. A opção parece indicar que os chineses entenderam o uso severo, já que comandos por toque falham quando as mãos estão sujas de lama.

Foto: Divulgação/Chery
Pré-venda no mercado australiano e o futuro no Brasil
A caminhonete começa a ser comercializada e exportada no quarto trimestre de 2026, desembarcando inicialmente na Austrália. O batismo da novidade surgiu de uma votação pública que teve 12 mil registros e trouxe de volta uma denominação que a Suzuki usava, no Japão, há vários anos.
No Brasil, a CAOA Chery vem estudando o lançamento desde a exibição do conceito Himla no Salão do Automóvel de 2025. Caso chegue às lojas nacionais, a caminhonete travará uma disputa com a Ford Ranger eletrificada já confirmada o Brasil em 2027 com motor flex.
Os preços praticados continuam em segredo de fábrica. A montadora garantiu apenas que oferecerá uma versão somente a combustão para os países focados no menor custo de aquisição.

