Produção no Paraná começa no fim de 2026 com foco em espaço interno, mas a longa espera até a montagem local joga contra o hatch elétrico
A aliança entre Renault e Geely confirmou que vai fabricar o hatch elétrico EX2 no Paraná entre o final de 2026 e o começo de 2027. O modelo já é vendido por aqui importado em duas versões e virou o carro mais emplacado da marca chinesa no Brasil. O objetivo claro é incomodar o BYD Dolphin com uma produção local. Só que segurar as mesmas especificações atuais por mais três anos pode ser um tropeço em um mercado que muda tão rápido.

Raramente se ver um conjunto tão engenhoso no aproveitamento de espaço quanto o Geely EX2. O modelo mede apenas 4,13 metros de comprimento e pesa 1.300 kg. Curiosamente, ele entrega um porta-malas de 375 litros na traseira e um compartimento adicional de 70 litros na dianteira.
São impressionantes 445 litros totais, isso supera com folga o bagageiro de muito SUV compacto vendido hoje na casa dos R$ 150 mil. O entre-eixos de 2,65 metros também garante um alívio real para as pernas de quem viaja atrás.
Desempenho e autonomia na medida
A montadora deve manter o conjunto mecânico nas futuras versões nacionais Pro e Max. O motor elétrico dianteiro rende 116 cv de potência e 15,2 kgfm de torque. O número de cavalaria não assusta no papel. Mas o EX2 acelera de 0 a 100 km/h em 10,2 segundos. Esse tempo deixa o rival BYD Dolphin GS para trás, já que o concorrente cumpre a mesma prova em 10,9 s.

Já a bateria de 39,4 kWh entrega uma autonomia de 289 km pelo rigoroso ciclo do Inmetro. Na vida real urbana, é mais do que suficiente para rodar a semana inteira. Na hora de plugar na tomada, uma carga rápida DC de 30% a 80% leva apenas 21 minutos. Se usar um carregador doméstico AC, o processo de 10% a 100% exige 6h30.
A suspensão tem um vão livre de 16 cm, é uma altura decente para não raspar a frente nas valetas brasileiras diárias. O motorista ainda pode escolher entre os modos de condução Eco, Padrão e Sport para poupar energia ou ganhar fôlego em ultrapassagens.
Cabine digital e pacote de equipamentos
Por dentro o acabamento foge do plástico pobre, o Geely EX2 traz bancos e volante revestidos em material premium e iluminação interna em LED. O painel de instrumentos é totalmente digital com 8,8 polegadas e faz dupla com uma enorme central multimídia FLYME de 14,6 polegadas.

O pacote de série agrada bastante, desde a versão de entrada o hatch oferece ar-condicionado digital com saídas para o banco traseiro e direção elétrica. O freio de estacionamento eletrônico conta com a função Auto Hold, um alívio imenso no trânsito pesado; A segurança inclui câmera de ré e controle de cruzeiro.
O visual externo também não economiza, o modelo exibe faróis full LED com acendimento automático e rodas de liga leve aro 15 calçadas com pneus 205/65.
O projeto atual do Geely EX2 é extremamente sólido e competitivo para as ruas brasileiras. O espaço interno é imbatível na categoria e o desempenho convence. Mas nacionalizar um carro elétrico exige paciência industrial. Será que até o início de 2027 essa bateria de 39,4 kWh ainda vai ser atrativa ou o mercado já vai exigir muito mais pelo mesmo preço? A Renault e a Geely vão precisar de jogo de cintura para manter o hatch relevante até a primeira unidade sair da fábrica paranaense.








