SUV compacto da Toyota aposta em consumo baixo, garantia de 10 anos e confiabilidade, mas peca em acabamento interno e desempenho
A Toyota finalmente posicionou o Yaris Cross como resposta direta ao T-Cross, Creta, Tracker e ao novato WR-V. A versão topo de linha XRX 1.5 CVT custa R$ 180.920, vem equipada com teto panorâmico fixo, abertura elétrica do porta-malas e pacote ADAS completo. Mas nem tudo são flores, com 122 cv no etanol e 0 a 100 km/h na casa dos 13 segundos, o desempenho não vai empolgar ninguém. E o acabamento da porta traseira? Uma decepção que não combina com o preço pedido.

Design externo e dimensões
Por fora, o Yaris Cross XRX lembra muito uma RAV4 em escala menor. A frente traz faróis em LED com projetor, seta em LED e farol de neblina também em LED. Sensor dianteiro de estacionamento e câmera frontal completam o conjunto, que junto da câmera lateral forma a visão 360 graus.
Nas laterais, acabamentos plásticos no estilo fora-de-estrada percorrem toda a extensão do carro. Roda aro 18 de cinco furos com pneus 215/55 R18 da Dunlop. Rack de teto cinza, antena tipo barbatana de tubarão e detector de ponto cego. São 4,30 m de comprimento e um entre-eixos generoso de 2,60 m, acima da média para um SUV compacto.
Só que o Yaris Cross tirou apenas duas estrelas no Latin NCAP. Para um carro de quase R$ 181 mil, é um ponto que pesa na decisão.

Motor 1.5 aspirado e consumo
Debaixo do capô está o conhecido 2NR-FE, um 1.5 quatro cilindros aspirado com 16 válvulas, duplo comando variável e injeção direta. Corrente de comando, tuchos hidráulicos, nada de regulagem de válvula. O tipo de motor que passa de 500 mil km sem drama se bem cuidado.
São 110 cv com gasolina e 122 cv com etanol. Torque de 14,3 kgfm na gasolina e 15,3 kgfm no etanol. Não espere arrancadas. O câmbio CVT simula sete marchas e prioriza suavidade, não esportividade.
Agora, o consumo é um dos grandes trunfos. Na gasolina, faz 12,6 km/l na cidade e 14,3 km/l na estrada. No etanol, 8,8 km/l urbano e 10 km/l rodoviário. Números que colocam o Yaris Cross entre os mais econômicos do segmento, comportando um tanque de 42 litros.
Interior, tecnologia e o que incomoda
O interior é todo preto, com volante bem acabado e ajuste de altura e profundidade. Multimídia flutuante de 10 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, painel parcialmente digital com tela de 7 polegadas e layout que lembra bastante o Corolla. Freio de mão elétrico com auto hold, carregador por indução e USB tipo C.

O pacote ADAS vem completo nessa versão. Frenagem automática de emergência, alerta de colisão frontal, permanência em faixa com centralização, ACC e assistente de farol alto automático. Retrovisor eletrocrômico e teto panorâmico fixo (não abre, só a cortina interna) também estão na lista.
Mas o ar-condicionado é de uma zona só. Na versão mais cara do Yaris Cross, já era hora de ter duas zonas. Os bancos dianteiros têm ajuste apenas mecânico, sem regulagem elétrica nem no motorista. E os vidros elétricos? Só o do motorista tem função um toque, por R$ 178.990, isso incomoda.
A porta traseira é o maior problema. Acabamento todo em plástico duro, sem os emborrachados e revestimentos em couro que aparecem na porta dianteira. Parece porta de carro mais barato. Espaço traseiro até surpreende, com bom vão para pernas e cabeça, encosto reclinável e saída de ar com USB-C. O porta-malas leva 400 litros, um dos maiores da categoria e superior ao T-Cross (373L) e ao Creta (422L na versão com estepe externo).

Suspensão e freios
Na dianteira, suspensão McPherson com bieleta de ferro na barra estabilizadora, algo que rivais como o T-Cross substituem por nylon. Freio a disco ventilado na frente e disco sólido atrás. A direção é elétrica, já a traseira usa eixo de torção, quando o preço pedido já justificaria uma suspensão independente.
Vale os R$ 180 mil?
O Toyota Yaris Cross XRX 2026 é uma compra racional. Motor aspirado sem turbo, sem três cilindros, sem firulas. Garantia de 10 anos, pós-venda elogiado e uma das menores desvalorizações do mercado. Quem busca confiabilidade e economia no dia a dia vai gostar.
Só que quase R$ 180 mil coloca esse carro em faixa de preço onde os rivais entregam banco elétrico, ar de duas zonas e acabamento traseiro mais refinado. A Toyota economizou onde não deveria na versão que deveria ser vitrine. Abaixo da XRX, ainda virão as versões XR e XRE, que podem fazer mais sentido em custo-benefício. Vale a pena conferir as novid










