A Nissan discute montar veículos no Brasil com kits importados, enquanto a produção nacional de veículos leves cresceu 9,7% até setembro de 2026. Sem contar unidades CKD e SKD, porém, a expansão seria de apenas 2%.
Ricardo Gondo, presidente da marca no país, confirmou que a possibilidade está em avaliação interna. Kait e Kicks seguirão produzidos em Resende (RJ), e ainda não há modelo ou prazo anunciado para uma eventual nova operação.
Nissan no Brasil: o que significam CKD e SKD
CKD e SKD são formatos de montagem local a partir de kits enviados do exterior: no primeiro, as peças chegam completamente desmontadas; no segundo, parte do veículo vem pré-montada. A Nissan estuda essas opções, mas não divulgou quais carros poderiam ser incluídos nem o investimento previsto.

Foto: Nissan/Divulgação
A diferença importa para a indústria. Montar um carro no país não significa, por si só, comprar componentes de fornecedores brasileiros. O volume de peças locais depende do projeto, da escala e das decisões de cada fabricante.
Por isso, a montagem pode ajudar a ampliar a oferta sem gerar, de imediato, encomendas relevantes para autopeças e pneus. Para o comprador, também não garante redução de preço: isso dependeria de custos, impostos, câmbio e estratégia comercial.
Produção de veículos cresce, mas kits importados pesam no resultado
Os números apresentados por Gondo mostram a diferença entre o avanço total da produção e o desempenho sem CKD e SKD. A estimativa para o fechamento de 2026 é de alta de 7,6%, enquanto o crescimento até setembro, excluídas essas montagens, ficaria em 2%.
| Indicador | Resultado informado |
|---|---|
| Produção de veículos leves até setembro | Alta de 9,7% |
| Projeção para o ano | Alta de 7,6% |
| Avanço sem CKD e SKD | Alta de 2% |
Marcas chinesas já recorrem a esse tipo de montagem no Brasil. BYD e GWM prometeram ampliar a produção local a partir de 2027, enquanto a Geely acertou uma parceria com a Renault. O resultado para fornecedores dependerá de encomendas efetivas, não apenas de anúncios.
Esse é o ponto que pode diferenciar uma linha de montagem de uma cadeia produtiva mais integrada. Se a produção crescer sem compras locais proporcionais, o ganho para fabricantes brasileiros de componentes será limitado.
Kait, Kicks e X-Trail: os planos confirmados da Nissan
A Nissan confirmou que Kait e Kicks continuarão saindo da fábrica de Resende. Para o primeiro trimestre de 2027, a empresa prevê lançar no Brasil o X-Trail e-Power, um SUV médio importado com sistema elétrico de alcance estendido.

Foto: Nissan/Divulgação
O modelo combina dois motores elétricos, com potência total de 216 cv e torque de 33,7 kgfm. Um motor turbo 1.5 a gasolina aciona um gerador e recarrega a bateria de 1,85 kWh. Como não precisa de carregador externo, o motorista abastece em postos convencionais antes de seguir viagem.
A proposta atende quem busca condução elétrica sem depender da rede de recarga, mas o preço brasileiro ainda não foi divulgado. Sem valor oficial, não cabe compará-lo por custo com SUVs híbridos como o Hyundai Tucson híbrido.
O que a montagem local pode mudar para o comprador
A discussão sobre CKD e SKD acompanha a expansão dos híbridos e elétricos, que avançou mais rápido do que a Nissan esperava. Gondo afirmou que as decisões sobre a estratégia da marca não podem demorar, mas não revelou quais produtos poderiam ser montados dessa forma.
- Mais oferta: a montagem com kits pode permitir que a Nissan traga modelos sem anunciar uma fábrica totalmente nova.
- Peças nacionais: a vantagem para fornecedores depende do conteúdo local e do ritmo das encomendas.
- Preço final: produção no país não garante carro mais barato; a empresa ainda precisa divulgar custos e posicionamento comercial.

Foto: Nissan/Divulgação
O consumidor pode acompanhar os próximos passos da Nissan no Brasil, mas ainda não há confirmação de um novo veículo nacional além de Kait e Kicks. A montagem CKD ou SKD segue como possibilidade em estudo, sem modelo, cronograma ou preço anunciados.