Omoda & Jaecoo revela motores 1.5 e 1.6 turbo flex ICE com dupla embreagem para o Brasil

Motores 1.5 e 1.6 turbo flex da Omoda & Jaecoo chegam com DCT e taxa de compressão de 15:1

Henrique Alves
Publicado em: 5 de maio de 2026
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Omoda & Jaecoo revela motores 1.5 e 1.6 turbo flex ICE com dupla embreagem para o Brasil

Abrir mão da injeção direta num motor turbo novo, em 2025, parece loucura, mas os motores ICE da Omoda & Jaecoo fizeram exatamente isso, e a escolha foi calculada. Se você quer entender o que são esses motores, em quais SUVs vão entrar e por que essa decisão é mais inteligente do que parece, continue lendo.

A marca sabe que mais de 80% dos carros vendidos no Brasil ainda não são eletrificados. Entre os SUVs, 77% são flex. Esses números vieram do próprio Dr. Yunfei, diretor de desenvolvimento de powertrains da Omoda & Jaecoo, em entrevista concedida em Wuhu, na China. A conclusão dele foi direta: “flex ou nada”.

Omoda & Jaecoo revela motores 1.5 e 1.6 turbo flex ICE com dupla embreagem para o Brasil

Por que motores só a combustão fazem sentido agora

Eletrificação avança, mas não em ritmo uniforme.

Enquanto algumas capitais já debatem incentivos para híbridos e elétricos, boa parte do Brasil ainda opera com postos sem carregador e renda incompatível com o preço de um BEV. Ignorar isso seria suicídio comercial.

A Omoda & Jaecoo quer volume de vendas. E volume, no Brasil de hoje, passa por motores a combustão flex. O caminho já foi trilhado por GWM, Changan e GAC, todas anunciaram fábrica no Brasil e todas chegaram com motores ICE no portfólio.

A fábrica da Omoda & Jaecoo começa a produzir no país no próximo ano. Sem motores ICE, não há volume. Sem volume, não há fábrica que se sustente.

Os motores ICE da Omoda & Jaecoo: o que a marca revelou

Três motores estão sendo finalizados ainda em 2025. Um quarto está em desenvolvimento. Todos são flex. Todos são turbo. E todos trazem caixas de dupla embreagem banhadas a óleo, nada de CVT.

1.5 turbo flex (G4T15): 143 cv e caixa de 6 marchas

Este é o motor das versões de entrada.

  • Potência: 143 cv
  • Torque: 225 Nm
  • Câmbio: 6DCT260 (dupla embreagem, 6 marchas)
  • Taxa de compressão: 14,5:1
  • Modelos previstos: Omoda 5, Jaecoo 5, e possivelmente o Omoda 4 em versões intermediárias

O 6DCT260 suporta até 260 Nm, com folga para o torque do motor. Essa combinação entrega resposta mais rápida que um CVT convencional e, na prática, significa menos “borrachudo” nas ultrapassagens.

1.6 turbo flex (F4J16C): 180 cv e a maior taxa de compressão do segmento

Aqui a coisa fica séria.

  • Potência: 180 cv
  • Torque: 280 Nm
  • Câmbio: 7DCT300 (dupla embreagem, 7 marchas)
  • Taxa de compressão: 15:1
  • Modelos previstos: Omoda 7, Jaecoo 7 e uma versão do Jaecoo 8 de 7 lugares

Taxa de compressão de 15:1 em motor turbo é um número fora do comum. A maioria dos turboalimentados fica entre 9:1 e 11:1. Subir para 15:1 só é possível graças ao etanol, que suporta compressão muito maior que a gasolina sem detonar. O resultado é eficiência térmica superior, ou seja, mais trabalho por litro de combustível.

Este motor é uma evolução direta do 1.6 turbo que já equipa o Chery Tiggo 8. A base é conhecida. A engenharia para o Brasil foi refatorada.

O que vem por aí: 1.0 e 2.0 turbo flex no horizonte

A Omoda & Jaecoo não está planejando dois motores. Está planejando quatro.

O 1.0 turbo flex deve ficar pronto em 2028. Com cerca de 120 cv e 180 Nm estimados, vai equipar os subcompactos Omoda 2 e Jaecoo 3, modelos ainda em desenvolvimento, mas já confirmados nos planos da marca.

No topo da família, um 2.0 turbo flex com mais de 240 cv e 370 Nm estimados está em fase de desenvolvimento. A aplicação mais provável são as versões topo de linha do Jaecoo 8.

São quatro motores para quatro faixas de mercado. Isso é uma estratégia de plataforma, não uma notícia de produto isolado.

Os novos motores ICE da Omoda & Jaecoo têm até 180 cv e DCT — e chegam primeiro nos modelos 5 e 7

A escolha técnica que ninguém estava esperando

O 1.5 turbo de terceira geração, usado no Caoa Chery Tiggo 5X atual, tem injeção direta. E gera reclamações de consumo excessivo.

A Omoda & Jaecoo ouviu essas queixas e tomou uma decisão contraintuitiva: os novos motores de quarta geração abandonam a injeção direta. Trocam tecnologia por confiabilidade.

Injeção direta oferece performance máxima, mas é sensível ao etanol em altas concentrações e gera depósitos de carbono nas válvulas com o tempo. Injeção indireta é mais simples, mais barata de manter e lida melhor com a gasolina brasileira, que já vem com 27% a 30% de etanol mesmo na versão “comum”.

Para o consumidor brasileiro médio, que não faz revisão no prazo certo e abastece com o que está mais barato, essa escolha é, na prática, mais inteligente do que parece na ficha técnica.

Quatro motores, uma aposta clara no Brasil

Com dois motores prontos, um para 2028 e um em desenvolvimento, a marca está construindo uma família completa de powertrains flex do subcompacto ao topo de linha. A decisão de abrir mão da injeção direta não é falta de recurso, é leitura do mercado.

Quem compra SUV no Brasil quer confiabilidade, consumo aceitável e baixo custo de manutenção. Os motores ICE da Omoda & Jaecoo foram desenhados exatamente para isso.

A fábrica começa a produzir no próximo ano, até lá, os motores estarão prontos, falta ver os preços.

Henrique Alves

Henrique Alves

Henrique Alves, editor, criador de conteúdo, designer e programador, atuando com produção editorial e projetos digitais desde 2012. Já colaborou com portais como Motor News e, em 2024, fundou a RevistaCars, onde atua como publisher e editor.